Uma Noite Muito Louca - capítulo 1

 

Uma Noite Muito Louca - Capítulo 1


GUARABIURAS (PB), 1971.


Josefino e Josefina estão brincando no coreto da praça.


JOSEFINO: Tá com você!


JOSEFINA (GRITANDO): Ará, Josefino! Assim você me encabula! E você bem sabe que eu sou café com leite!


Josefino revira os olhos.


JOSEFINO: Tá! Deixe de chorumelas! Vamo fazer uma bola de fogo, então. 


Os dois meninos se aproximam. Eles se olham um ao outro. Josefino põe a mão em seu peito e depois toca na região torácica de Josefina. E assim ele vai alternando de toque entre um indivíduo e outro.


JOSEFINO (GRITANDO): Bola de fogo que mata geral... PA! PUM! TCHAU!


JOSEFINA (GRITANDO): EU GANHEI! EU GANHEI! VOCÊ TÁ ROUBANDO.


JOSEFINO (GRITANDO): MENTIRA! MENTIRA! MENTIROOOOSSA! EU QUE GANHEI!


Josefina começa a se debulhar em lágrimas. 


JOSEFINO: Para! Para! Por favor! Tu tá passando é vergonha! Tá todo mundo olhando pra tu menina réia chorona!


Josefina para de chorar por um instante e olha em volta. Ela verifica que Arminda e Sariema os observam lá longe. Arminda balança a cabeça num sinal de reprovação. 


ARMINDA: Meu Deus... Eu tô passada, chocada! Uma menina réia dessa agino assim?! Pia mermo, mainha!


SARIEMA: Tu trata de deixa os menino do seu prefeito quieto, minina! Eu num quero arrumar confusão com gente desse porte! 


ARMINDA: Mar, mainha! Eu num tô dizeno nada demais! Cê num acha também que esses menino tão muito grandinho pra tarem brincando de bola de fogo?! Pia só! Ainda mais um menino tão garboso como o Zezinho!


SARIEMA: Num sei e nem quero saber! E tu, menina réia abestada, trata de tu tirar as pataquada do cavalinho do fi do nosso prefeito Patássio! Você bem sabe que ele noé po seu bico! Nós somo gente pobi. Ninguém daquela trupe quer saber de nós.


ARMINDA: Ah, mamãe! Vai me dizer que você nunca que quereria participar da família Cunha Rêgo?! Imagina se a senhora fosse avó de um filho meu com o Zezinho?! Ou mió, sogra do Zezinho, né? A senhora mesmo parece que tá já casando com o prefeito Patássio!


Sariema levanta de sua cadeira, tira o seu chinelo do pé e dá diversas chineladas no lombo de Arminda para ela aprender.


SARIEMA (GRITANDO): TU SE AJEITA MININA! EU SÔ TUA MÃE! A PRÓXIMA VEZ QUE VOCÊ FALAR ISSO DINOVO EU VOU DÁ-LE UMA NA SUA CARA!


Arminda desagua em lágrimas atordoada e entra para dentro de casa. Josefina e Josefino observa tudo de um local bem adiante.


JOSEFINA: É, talvez eu num seja a única menina réia chorona do bairro.


Josefina e Josefino soltam inúmeras gargalhadas. O dia amanhece ao som de Eu Só Quero Um Xodó (Dominguinhos). Há uma grande festa sendo realizada no centro da cidade. O prefeito Patássio se posiciona ao palanque improvisado no coreto da praça. A primeira-dama, Rosângela, e o seu filho e sobrinha, Josefino e Josefina se colocam ao seu lado. Ele discursa em seu microfone. Há uma multidão de dezenas (os únicos) de cidadãos da pacata cidade prestando assistência. Também é possível ver alguns vereadores e outros parlamentares.


PATÁSSIO (MICROFONE): BOM DIA, MEU AMADO POVO FIEL DE GUARABIURAS!


POVO: IÊEEEEEEEEEE!


PATÁSSIO (MICROFONE): EU NÃO OUVI DIREITOOOO!


POVO: ÔOOOOOOOOOOOOOOOOO!!


PATÁSSIO (MICROFONE): ASSIM JÁ ESTÁ BOM, MEU AMADO POVO FIEL DE TANANDUBA!


ROSÂNGELA (COCHICHANDO): Guarabiuras.


PATÁSSIO (MICROFONE): GUARABIURAS!!!


POVO: UUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!


Josefino e Josefina ficam envergonhados.


SEVERINA: Eu sabia que esse prefeito num ia durar muito. Na próxima eleição ele se lasca. Se meu bom Deus com a honra e glória de nosso Senhor permitir! Amém?


CLOTILDE: Pois o que eu acho é que a Nossa Senhora do Livramento vai é nos conceder um caminho para nos livrar desse encosto que é esse prefeito. Que essa ralé toda vá pro inferno!


SARIEMA (GRITANDO): Eita, minha gente que num tira o inferno da boca e ainda se diz crente!


CLOTILDE: Eu mermo não, crente é ela outra aí!


SEVERINA: Aleluia?!


PATÁSSIO (MICROFONE): Pois bem, essa festa aqui é por pura e honra glória, por obséquio, por causa, razão, motivo e circunstância de, neste momento, na solenidade dos nossos companheiros políticos e partidários, no encorajamento da sociedade brasileira e cidadã, no imposto cúbico e viril desse vilarejo tão cesário...


SARIEMA: Olha lá como ele fala bonito.


Arminda olha de rabo de olho pra mãe. Sariema se embuceta. 


PATÁSSIO (MICROFONE)...Nos conformes, por obséquio, a qual, todavia...


ROSÂNGELA (MICROFONE/GRITANDO): Ah, cale-se, cale-se, você me deixa looooouuuucaaaaa! Não vê que isso é de uma tamanha imbecilidade?!


Patássio a olha asustado. Todo o público fica embasbacado. Rosângela toma o microfone da boca de Patássio.


ROSÂNGELA (MICROFONE): O que o nosso queridíssimo e saudosíssimo prefeito quis dizer é que... Vai ter festa junina na cidade! VIVA!


POVO: AÊEEEEEEEEEEEEEEEEE!


HOMEM (GRITANDO): Ô, MINHA SENHORA, POIS NÃO, COM SUA LICENÇA... MAR NUM É MEIO QUE OBRIGATÓRIO TER A FESTA DE SÃO JOÃO NA NOSSA CIDADE? AFINAL, SOMOS NÓS QUE TAMO PAGANDO O DINHEIRO!


Há um silêncio tenebroso no local. Rosângela fica vermelha. 


PATÁSSIO (MICROFONE): Ô, MEU QUERIDO CAMARADA, POIS NÃO. COMO É QUE EU POSSO DIZER? ASSIM... QUISER SE RETIRAR, FIQUE À VONTADE. 


HOMEM (GRITANDO): NÃO SEU PREFEITO, É QUE... UÊPA!


Dois homens empaletozados levam o homem embora.


PATÁSSIO (MICROFONE): VIVA A FESTA DE NOSSO QUERIDO SÃO BENEDITOOOO!


ROSÂNGELA (COCHICHANDO): São João, estrupício.


PATÁSSIO (MICROFONE): VIVA AO SÃO JOÃO!!!!


POVO: VIIIIVAAAAA! IIIRRRRUUUUU!


CLOTILDE (GRITANDO): UM INSTANTINHO, UM INSTANTINHO... ENTÃO QUER DIZER QUE O SINHÔ FEZ ESSA FESTANÇA AQUI TODINHA SÓ PA ANUNCIAR QUE VAI TER OUTRA FESTA?


PATÁSSIO (MICROFONE): SIM? VAI RECLAMAR? NÃO VAI, NÉ?


Há um forró generalizado. Todos dançam, cada um com seu casal. Josefino e Josefina comem milho assado na brasa. Arminda se aproxima dos dois.


JOSEFINA: É, é... Zefino, cê quer dançar comigo?


JOSEFINO: Dançar?


JOSEFINA: Craro!


Josefina dá um puxavante no primo e ambos vão para o terreiro se juntar aos casais forrozeantes. Arminda fica com dor de cotovelo e se estabaca. Melquíades se aproxima de Dona Gema. 


MELQUÍADES: A senhorita me acompanharia e daria a honra de lhe me fazer uma dança?


DONA GEMA (SORRINDO): Ah, é que assim eu fico toda molinha, Seu sinhô! Ri, ri, ri!


MELQUÍADES: Como disse?


DONA GEMA (ENVERGONHADA/SÉRIA): Nada, nada não. É que eu disse que eu sou comprometida. 


Melquíades fica intrigado. Arminda se aproxima de Sariema. 


SARIEMA: EI, MININA! O QUE TU TÁ FAZENDO AÍ MEXIRIQUENTA?


ARMINDA: Nada mainha. Não consegui pegar a pipoca, foi só isso.


Sariema vê Melquíades se enrabichando pra Dona Gema. 


SARIEMA: Maieu num tô acreditando no que eu tô veno!


Sariema sai em disparada. Arminda fica enjoada. Um caminhão de obra de construção se aproxima do local e para próximo ao palanque. Sariema tira a sua chinela do pé e lhe dá várias coronhadas com a mesma nas poupanças de Melquíades. 


MELQUÍADES (GRITANDO): AI, AI, AI! U QUE É MULHER? TU TÁ FICANDO DOIDA É?


SARIEMA (GRITANDO): VENHA PRA CÁ!


Ela dá mais umas boas chineladas no bumbum do marido e o puxa do local. Dona Gema fica cozinhada.


JOSEFINA: Vamo, Josefino, é facil. Um passo e depois ôtro. 


JOSEFINO: Eu já disse que num quero! Isso é coisa de minina! Ora, vai cagar! 


Josefino solta os braços de sua prima. Josefina se debulha em lágrimas. 


HOMEM 1 (GRITANDO): Ê, RAPAI! EI! POSSO DEIXAR ESSE CAMINHÃO DESCARREGADO AQUI, NÃO É?


HOMEM 2: O que ele tem?


HOMEM 1: Nada não, parece que é só um ótimo feromônio trazido diretamente de São Paulo. Eu só sei que eu vou ficar rico!


HOMEM 2 (INTRIGADO): Ricu?!


ROSÂNGELA: Pra onde você vai?


PATÁSSIO: Pra nosso casa, oras.


ROSÂNGELA: Cedo assim?


PATÁSSIO: Claro! O que eu vou ficar fazendo no meio de um bando de pé rapado desse? Quero é meu confortinho! 


ROSÂNGELA: Mas, Patássio, são seus eleitores.


PATÁSSIO: A gente nem em época de eleição tá pra eu tratar bem meu gado. Não me venha com essas chorumelas! Vá! Venha logo! Eu sei que você também não aguenta ficar mais nenhum segundo aqui. 


ROSÂNGELA (ENVERGONHADA): Bem, é... Já que disse.


PATÁSSIO: Chame Josefino e Josefina para virem com a gente. 


HOMEM: Ricu?! Ha ha! Ricu eu vô fica! Assim que eu achar esse tal feromônio e metê as canela no pé! Bixo burro da mulinga! Onde já se viu revelar o diacho da bufunfa assim a quarquer um?! Ha ha!


O homem sobe no caminhão de material de construção de cimento carregado com o feromônio. Ele sobe na caçamba. 


HOMEM (GRITANDO): Mai... Diacho! Ondé que será que ele escondeu o tesouro pelamor de Deus?! 


Ele olha para o compartimento de onde se guarda o cimento. 


HOMEM: NÃO! É ISSO! HA HA! EU SOU UM MÁGICO!


SARIEMA: ESCUTA AQUI?! DA PRÓXIMA VEZ QUE VOCÊ FICAR DE CHORUMELAS COM QUARQUER ASA BRANCA QUE LHE APARECER, É DIVÓRCIO NA CERTA. OU MELHOR, NEM DIVÓRCIO. VOCÊ VAI MORAR LÁ NA SARGETA. OU MELHOR, VAI VIRAR MENDIGO. PRA APRENDER A SE COMPORTAR!


MELQUÍADES: MULHER! MULHER! FIQUE QUÉTA! EU SÓ TAVA AJUDANDO A MOÇA NAS LOCALIZAÇÃO. 


SARIEMA (GRITANDO): SIM, EU SEI, MUITO BEM A SUA AJUDA. COMO SE ESSA CIDADE NÃO FOSSE DO TAMANHO DE UM OVO, NÉ? E AGORA VOCÊ VAI ME DIZER QUE JUSTAMENTE A DONA GEMA NÃO SABERIA AONDE FICAVA AS CRARA? ME PORPE!


Melquíades se enfurece e sai do local. Sariema se estilhaça. 


SEVERINA: Tá tudo bem com você, irmã?


SARIEMA: Noé da sua conta!


Sariema se retira. 


SEVERINA: Abençoa, Senhor!


PATÁSSIO (COM RAIVA): Mas que demora da paspalha daquela Rosângela! Ora! O que um homem não tem que fazer não é mesmo?!


Patássio se retira do carro e fecha a porta para voltar em direção à multidão. Rosângela sai do seu esconderijo atrás do carro.


ROSÂNGELA (PENSAMENTO): Eu que num vô metê meus lindos pézinhos atrás daqueles pirralhos chechelentos! Vá você, espantalho, assim quem sabes podes encontrar alguma surpresinha no meio dessa muvuca?! 


ROSÂNGELA (GARGALHANDO): HA HA HA HA HA HA HA HA!


Arminda passa próximo da primeira-dama e a olha com certa estranheza. Rosângela fecha a cara enfurecida entra dentro do carro. Josefino e Josefina passam próximos à Arminda. Ambos se olham.


ARMINDA (ENVERGONHADA): Oi.


Josefina fecha a cara. Josefino fica sem entender.


PATÁSSIO (GRITANDO): JOSEFINOOOO! JOSEFINAAAA! ONDE AQUELAS PESTES SE METERAM AGORA?!


Patássio vai passando no meio das pessoas que estão dançando até que recebe uma chinelada bem nos meios das suas poupanças. 


PATÁSSIO (GRITANDO): AIUIUIUIAI!


SARIEMA (GRITANDO/ENVERGONHADA): Isso é pra você aprender a nunca mais me trocar por muié nenhuma... Ah! Seu prefeito? Eu num tinha visto que era o sinhô! Me desculpa!


PATÁSSIO (RINDO): HAHAHAHAHA HA! ESTÁ TUDO BEM. ACHO QUE EU ATÉ ESTAVA PRECISANDO DE UNS BONS CACETETES PARA EU ME ENDIREITAR.


SARIEMA: Eu juro que se eu soubesse...


Patássio encara sariema olho no olho e ambos ficam assim reciprocamente por vários segundos. 


SARIEMA: Seu pre... Seu prefeito?


Patássio paralisa.


SARIEMA (GRITANDO): PREFEITO PATÁSSIO!


PATÁSSIO (ENVERGONHADO): Ora, pois não, que que foi, que que foi, que que há?!


Melquíades se aproxima de Dona Gema.


MELQUÍADES: Geminha, mil desculpas pelo que aconteceu agora a pouco. Eu não sei o que deu na cabeça Sariema. Ela nunca foi de fazer barraco.


DONA GEMA: Nadinha, Seu... Seu... Sinhô Melquíades. Eu já tô acostumada a passar do ponto mesmo. Eu tenho de me conformar. Vou viver até o resto de minha vida sem a nunca ter amado de verdade. Sem nunca rachar a casquinha do ovo...


MELQUÍADES: Não seja por isso... Se me permite...


Melquíades agarra a Gema pelos braços e junta seus lábios com os dela, num beijo quase comestível. Dona Gema fica derretida.


ARMINDA: Cês tão vendo aquilo ali que eu também tô vendo?


JOSEFINO: O que?!


JOSEFINA (GRITANDO): NO CÉU!!!


De repente uma nuvem verde tomada completamente de algo parecido com o pó mágico de Peter Pan cai sobre todos. Não é possível ver nada além de sombras escuras e silhuetas atordoadas. Um monte de gente sai desesperada. Todos atingidos por aquele fenômeno tossem. Passados alguns segundos, o vapor verde desaparece e sobe um cheiro forte de perfume que exala sobre todos. O aroma disseminado é tão fortificante que dá até água na boca.


JOSEFINO: Arminda?!


ARMINDA: Zezinho?!


Os dois garotos se beijam violentamente até caírem no chão como dois animais rolando no terreiro.


JOSEFINA: Zefino?! Zefino?! Cadê você?!


GAROTO: Eu tô aqui, meu amor.


Eles se beijam compulsivamente. 


DONA GEMA: Parece até que eu estou numa panela fervendo! Nunca me senti tão cozinhada!


MELQUÍADES: Pois vamos ali que o fogão começou a esquentar só agora.


Os dois fogem para longe e entram no carro do próprio Melquíades, saindo em disparada.


PATÁSSIO: Nunca achei que uma velha que nem você soubesse fazer amor tão bem!


SARIEMA (GRITANDO): O QUE DISSE?!


PATÁSSIO: QUIS DIZER QUE A MINHA VELHA VONTADE DE FAZER AMOR FOI SACIADA AGORA MESMO!


Os dois lapingocham com o uma paixão efervescente. 


ROSÂNGELA: Quem é você?!


HOMEM: Num sei, só vi que a senhorita estava aí sentada sozinha e não me contive.


ROSÂNGELA (GEMENDO): AI AI AI AI! AAAAAAINNNANNANNANANANNA! UUUUUUUUIIII!


O carro onde os dois estão chacoalha. Clotilde e Severina se olham embasbacadas. Elas aproximam o olhar uma da outra e ficam próximas de um toque labial. As duas fixam os olhares. Severina segura sua Bíblia, Clotilde seu terço da virgem Maria. Ambas se beijam. Clotilde levanta a perna para cima num sinal de excitação. Josefino e Arminda continuam saboreando aquele que seria o primeiro beijo de ambos na vida toda. Josefina olha tudo de longe com a maior tristeza do mundo. De repente, fortes raios se formam no céu e uma chuva atemporal cai sobre todos ali na festa.

Rosângela e o homem descem do carro, anestesiados.


ROSÂNGELA (GEMENDO): Rapaz... Ai... O senhor me deixou descadeirada.


HOMEM (EXTASIADO/SATISFEITO): Senhorita... Esse com certeza foi o dia mais filiz da minha vida. Conquistei o meu tesouro!


ROSÂNGELA (SUSPIRANDO/GEMENDO): E eu certamente vou ficar com os calombos por um bom tempo. Ai... Ui... 


HOMEM (EXTASIADO/SATISFEITO): Eu nunca mais vou tomar banho!


ROSÂNGELA: O QUE ESTÁ QUERENDO DIZER?


HOMEM (GRITANDO): EU PERDI MINHA VIRGINDADEEE! NÃO SOU MAIS UMA DONZELAA! A BUFUNFA AGORA É MINHA!


ROSÂNGELA (GRITANDO): SEU PASPALHO?! ESTÁ ME DIZENDO QUE COM TODA ESSA SUA POTÊNCIA VOCÊ NUNCA TINHA FURUNFADO?! AI... MEU DEUS PAI... EU MEREÇO MESMO ISSO MESMO! EU ESTOU CERCADA DE IDIOTAS...


HOMEM (GRITANDO): EU POSSO NÃO TER ENCONTRADO A BUFUNFA DAQUELE IDIOTA DO CAMINHÃO, MAR AO MENOS A SENHORITA ME MOSTROU COMO É SER RICO NESSA VIDA?!


ROSÂNGELA (GRITANDO): IMPRESTÁVEL!!! DO QUE ESTÁ FALANDO?! EU NÃO FALEI PARA VOCÊ?! EU ESPERO VOCÊ NO CARRO COM A CONFIRMAÇÃO DE TER FEITO O PROMETIDO... VOCÊ CUMPRIU COM NOSSO TRATO?!


HOMEM (GAGUEJANDO/INTRIGADO): QUE... QUE... QUE TRATO-TO-TO, SENHORITA?!


ROSÂNGELA (GRITANDO): ORA BOLAS, SEU CRÁPULA?! O TRATO DE VOCÊ DAR UM CABO NO ESTRUPÍCIO DO PATÁSSIO!!!!


As pessoas ao redor deles ouvem e ficam assustadas.


ROSÂNGELA (GRITANDO/GAGUEJANDO/ENVERGONHADA): EU QUI-QUI-QUIS DIZER: DAR UM AJUDA COM O PATÁSSIO ATÉ O CARRO...


O homem continua delirando com aquela ficada que seria a primeira e única na sua vida, nem dando ouvidos para Rosângela, que põe as mãos no próprio rosto decepcionada. Anoitece ao som de Eu Só Quero Um Xodó (Dominguinhos). Arminda se encontra em casa, pronta para dormir. Ela relembra de tudo o que havia acontecido hoje e sorri.


ARMINDA (PENSAMENTO): Firnamente dei um beijo em alguém. E como é gostoso beijar. Haha! Eu te amo, Zezinho! Sei que ainda é muito cedo, mas nós vamo se casar e ser muito feliz ainda... 


Arminda suspira. Sariema surge ao seu lado.


SARIEMA (GRITANDO): Fazendo o quê aí menina?! Pensando na mula-sem-cabeça?!


ARMINDA: Nada não, mãe. Vamo dormir. Hoje foi um longo dia. E que dia, nér?...


SARIEMA (INTRIGADA/PRAZEROSA): Éeehh...


Ela relembra de Patássio e todo o beijo cinematográfico. Depois sopra a chama da lamparina e põe-se a se deitar ao lado de Arminda.


ROSÂNGELA: Então esse vai ser o plano... E vê se não falha desta vez.


HOMEM (SORRINDO): Pode deixar, sinhá! Pela senhorita eu faço tudo.


ROSÂNGELA: Eu estou falando sério. E você será bem pago por tudo isso. Eu também terei a maior das recompensas ao ser viúva e prefeita interina e futuramente a prefeita oficial e real de Guarabiuras. HA HA HA HA!


HOMEM: O mió pagamento que eu poderia receber é ver o sorriso da senhora disgramada.


Rosângela o olha intrigada.


HOMEM: Digo, digo...


ROSÂNGELA: EU ENTENDI. NÃO SOU UMA DEMENTE FEITO VOCÊ. SE VOCÊ CUMPRIR TUDO COMO COMBINADO, TALVEZ TIRE A CAMISOLA NOVAMENTE PARA VOCÊ...


O homem entra em orgasmo.


ROSÂNGELA: MAS SÓ SE FIZER TUDO BEM FEITO!


HOMEM (GAGUEJANDO/FELIZ): PO-PO-PO-PO-PO...


ROSÂNGELA: Agora vai, vai... O Patássio já deve estar indo se deitar. Tenho que me sacrilejar e fazer o papel de boa samarita ao lado da última noite de núpcias do meu querido maridinho...


O capanga esboça um semblante sério. Rosângela sorri estonteantemente. Josefina se prepara pra dormir. Sua expressão é bem depressiva. Ela vai até a porta do quarto de Josefino e o vê na sacada do seu quarto olhando para o céu estrelado. A garota até pensa em ir até o mesmo para conversarem mas desiste e volta para o seu quarto. Josefino sai da varanda e volta para o quarto se deitar na sua cama. Ele começa a lembrar do beijo que deu em Arminda e sorri.


JOSEFINO (PENSAMENTO/SORRINDO): É... Até que tem coisa de menina que é boa também. 


O menino fecha os olhos e dorme. Rosângela entra pela porta dos fundos da mansão e passa pela copa. Ela se depara com um cena pavorosa.


ROSÂNGELA (GRITANDO): Eu posso saber o que significa isso?!


Melquíades e Dona Gema deitados nus em baixo da mesa da cozinha. Rosângela fica vermelha.


MELQUÍADES: Dona, mil perdão...


ROSÂNGELA (GRITANDO): Eu não estou falando com você. Quero ssber o que ela tem a dizer, já que é nossa empregada...


DONA GEMA (SORRINDO): Sinhá, o que eu tenho pa le dizer é o seguinte: eu me demito.


Rosângela fica em choque. Melquíades geme. Dona Gema se descasca. Na calada da noite escura e sombria, um alegoria circense chega à cidade para se abrigar aos conformes. Palhaços, animais de todas as espécies e mágicos descem das acomodações e começam a armar as barracas. Curiosos observam tudo ao redor. 


SEVERINA: Era o que faltava pra essa cidade virar um purgatório só! Valei-me meu Deus!


CLOTILDE: Fica quieta, mulher. Abaixa esse fogo! Que mal faz termos verdadeiros artistas ao nosso redor?!


Um palhaço tira o chapéu e dá um bitoca na bochecha de Clotilde. 


CLOTILDE: Que gracinha! 


SEVERINA: Gracinha?! Mas agora estou entendendo... Sua religião lhe permite adorar esses tipos de heresias. Não é na sua igreja que ocorrem aquelas queimagens de flores, adoração a figuras de gesso, fantasias de anjo?!


CLOTILDE: E vai me dizer que na tua igreja careta não tem nada disso?! Que Nossa Senhora da Piedade te perdoe por essas blasfêmias! Segure em minha mão e um milagre vai lhe acontecer em 2 segundos. 


Severina pega na mão de Clotilde. Ambas se olham e relembram do que acontecera hoje. De repente, um elefante que vinha fazendo manobras equilibristas cai com toda a sua buzanfa em cima de Severina e esmaga a evangélica. 


CLOTILDE: NOSSA SENHORA TARDA MAS NÃO FALHA! AMÉM, IRMÃ?!


O elefante muge.


ROSÂNGELA: Como se demite?! 


DONA GEMA: Sim, sinhá. Há muito tempo já queria isso. Estou muito velha. Preciso de um descanso. 


PATÁSSIO: O que esta acontecendo aqui... Dona Gema?! Seu Melquíades?! Os senhores estão pelados?!


MELQUÍADES: Eu posso explicar Seu Prefeito...


ROSÂNGELA (GRITANDO): O que está acontecendo aqui, amor, é que essa velha além de fazer todo esse escarcéu ainda quer ir embora com as panelas e os talheres!


Patássio olha embasbacado para as partes íntimas de Dona Gema e soa. 


PATÁSSIO: A Dona Gema fica.


DONA GEMA: Tem certeza, sinhô?


PATÁSSIO: Absoluta!


Patássio continua espantado. Rosângela percebe toda a cena e se enche de ódio por dentro. Ela sai em disparada para os seus aposentos.


PATÁSSIO (NERVOSO): E que os senhores se componham, hein?! Não quero ver isso daqui de novo, não na minha cozinha!


Patássio se retira. Melquíades e Gema se beijam. Melquíades chega em casa e se depara com sua esposa dormindo ao lado de sua filha na cama do casal. Ele vai para o sofá. O dia amanhece ao som de Eu Só Quero um Xodó (Dominguinhos). Melquíades sai para trabalhar antes de Sariema e Arminda acordarem. Sariema põe o água do café pra esquentar no fogão. Ela relembra dos seus beijos com Patássio e suspira. Arminda acorda e abre a janela para olhar a vista e se depara com um belo beija-flor voando sobre as flores do jardim. Arminda ovula pela primeira vez. Já é tarde. Sariema e Clotilde fofocam sentadas na calçada. 


SARIEMA (GARGALHANDO): EU NÃO ACREDITO HA HA HA HA!


SEVERINA: Pois é, mulher. O buraco é mais em baixo! Bate na madeira!


Um carro passa em disparada na rua. As mulheres ficam assustadas. 


CLOTILDE: Que velocidade é essa, Junio?


SARIEMA: Pra tar assim o caso deve ser grave...


Um carro para em frente à mansão dos Cunha Rêgo. Rosângela sai de lá dentro.


ROSÂNGELA (FALANDO BAIXO): Já sabe o que fazer, não é?


HOMEM (COCHICHANDO): Sim, senhorita. Vou fazer tudinho o que a senhora me mandou. Ha ha! E depois vem surpresa pra mim.


ROSÂNGELA (SORRINDO): O único que vai receber uma bela de uma surpresa será o traste do Patássio. E vai ser dessa pra pior, se Deus quiser.


O capanga tenta beijar os lábios da moça. Rosângela recua. 


ROSÂNGELA: VAMOS, ESTRUPÍCIO, É PRA HOJE!


O carro sai em disparada. Rosângela entra para dentro. Josefina observa tudo lá de cima da varanda, estarrecida. O capanga estaciona o carro em uma rua esquisita, sem que ninguém o veja. Sariema e Clotilde continuam conversando. 


SARIEMA: Internada?


CLOTILDE: Pois é, mulher. Chegou um danado de um circo com um bucado de elefante em cima do carro. Os elefante tudin saíram pra fora do carro atordoados e acabaram caindo em cima de quem? Da coitada.


SARIEMA (RINDO): Meu Deus... Ha ha ha! Isso que dá ficar clamando o nome do diabo nos quatro ventos...


CLOTILDE (RINDO): Bate na boca mulher, vão achar que a gente tá rindo do descaso da pobi kkkkkkkk


PATÁSSIO: Boas tardes, senhoritas.


Sariema se evoca e rebola as nádegas. Clotilde exorcista tudo. 


PATÁSSIO: Não pude deixar de ouvir a bela conversa das belas damas. Pois não? Vim lhes pedir um gole d'água. Estava a caminho da prefeitura. Tive de ir a pé hoje. Meu carro foi para o conserto. O preço ficou pela hora da mort...


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SARIEMA (GRITANDO): NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOOOOOOO!


Patássio cai duro e espatifado no chão.

CLOTILDE (CHORANDO): Ele era um homem tão bom...


JOSEFINO (DESOLADO): O meu pai nunca tinha me dado uma única palmada sequer. 


MELQUÍADES (INDISPOSTO): O Seu Patássio sempre foi muito legal comigo e com minha família... Ele nunca negou nenhuma cesta básica que eu pedi.


CLOTILDE: O sangue de Jesus tem poder e a serpente do diabo nos vos libertará... Amém?!


MELQUÍADES: q


CLOTILDE: Foi o que a Severina mandou dizer da enfermaria.


ROSÂNGELA (DESESPERADA): Ele tinha saúde e é isso que importa... 


Josefina a olha com inimizade. O caixão de Patássio é carregado por parentes, amigos e habitantes da cidade. Há uma grande comoção. O hino da cidade é soado aos quatro cantos. Patássio é enterrado com uma salva de noventa e nove tiros de canhão, correspondente a cada ano que viveu. Todos se desesperam. Rosângela rasga o vestido e esfrega a bunda no chão, desacreditada. Dona Gema se choca. O espírito de Patássio sai do caixão e é levado até o céu. Todos compadecem. Sariema, deitada em sua cama, chora relutantemente. Josefino consola sua prima. Arminda os olha com certa antipatia. A câmera sobe e é possível ver o cemitério lá de cima. A imagem se afasta tanto que agora é possível ver sobre as nuvens. A tela escurece. Patássio acorda.


PATÁSSIO: Onde estou? Eu morri? Tem alguém aí? Eu venci a eleição?


É possível ouvir alguns risos ao fundo.


PATÁSSIO: Ai, meu Jesus Cristinho. Não estou gostando nada disso. Valei-me! Eu fui pro infeeeerno!


De repente, Patássio sente pontadas de agulhas como se um tridente tivesse lhe espetado nas poupanças.


PATÁSSIO: Tá aí a confirmação. 


Patássio desmaia.


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DIAS DEPOIS.


ROSÂNGELA (RINDO): Eu tô riiiiiiiiiccaaaaaa! Eu sou riiiiiiicaaaaaaa! Meu Deus! Isso só pode ser um milagre! Ahahahhaaha!


Josefina escuta tudo atrás da porta. Ela reprime.


ROSÂNGELA (RINDO): Agora aquele velho estúpido foi embora. Só me resta a mim e a toda a minha herança. E claro uma linda cidade que eu tenho para cuidar... Linda, não, né? Tremendo fim de mundo hahahahahaha


Josefina estardalhaça.


ROSÂNGELA: Mas antes de tudo... Eu preciso dar um fim nos pirralhos...


Rosângela aponta uma faca e joga-a contra a porta, fazendo-a ficar espetada. Josefina sente um calafrio e mete o pé dali. Josefino está deitado em seu quarto. Ele relembra de bons momentos com seu pai ainda vivo. Ele sai para a varanda e olha o céu ensolarado e limpo como as águas de Fernando de Noronha. Ao resolver olhar para baixo ele verifica que Josefina está disposta lá na praça, sozinha e roendo unhas. Ele resolve ir até ela.


JOSEFINO: O que tu tá fazendo aí?


JOSEFINA: Estou com medo.


JOSEFINO: Medo? Medo de quê?


JOSEFINA: Não sei... Mas essa morte do meu tio mexeu muito comigo... Acho que não tô muito bem... Talvez seja melhó eu voltar pra minha casa, as féria já, já acaba mesmo.


JOSEFINO: Não! Como assim? Você disse que ia ficar com a gente até o São João. 


JOSEFINA: Eu estou muito triste mesmo pelo meu tio. Não consigo mais ficar aqui.


JOSEFINO: Tem certeza que é só isso mesmo? Fala... Você sabe de algo que eu não sei?


Josefina se cala e fica séria. Arminda os vê pela janela lá na praça. Ela fica inciumada. 


SARIEMA (GRITANDO): ARMINDAAA!


ARMINDA: Já vou!


Arminda vai até o quarto de sua mãe.


SARIEMA: Se caso seu pai aparecer aí, não abra a porta de jeito nenhum. 


ARMINDA: Tá bom, mãe...


Sariema se arruma para se deitar. 


ARMINDA: Mãe, cê num acha que já passou da hora da senhora sair daí?


SARIEMA: Daí daonde?


ARMINDA: Dessa cama! Mãe, a senhora amava conversar com suas amigas, mãe. A Clotilde e a Severina! Cadê elas agora?


SARIEMA: Não sei e nem quero saber. E você para de encher meu saco e vai brincar vai, menina réia besta. Eu só quero é dormir, pode não? Já não basta tudo de ruim que tá acontecendo?


Arminda se cala e se retira. Sariema fica pensativa e logo de deita em sua cama.

Josefino entra para dentro de casa e se deita em sua cama. Ele torna a relembrar de Patássio.


FLASHBACK 🎥


PATÁSSIO: Tome, meu filho. 


JOSEFINO: Mais um?


PATÁSSIO: Não, esse é único. 


JOSEFINO: Estou cansado de ler livros... Quer dizer, livros da escola.


PATÁSSIO: Você não tá entendendo, meu querido. Este não é qualquer livro não. Este livro é da sua tataratataratataratataraavó que morreu há muito.


JOSEFINO: Quem?


PATÁSSIO: Fatinha. Ela viveu na Idade da Pedra... Ou Idade Média. O que importa é que sempre que você precisar resolver algum problema grave na sua vida, usa este livro. Este livro, ele é mágico. Ele pode fazer coisas que nem o céu nem o inferno imaginam. 


Josefino folheia o livro. 


PATÁSSIO: Mas cuidado. Assim como esse livro pode ser algo bom, pode trazer muita tragédia e desgraça se não cair em boas mãos. 


Josefino se esbofeteia com aquela informação. 


FIM DO FLASHBACK 🎥


JOSEFINO (GRITANDO): É ISSO!!!!


Josefino grita tão alto que Rosângela, Josefina e Dona Gema ouvem tudo de cada canto da casa. Josefino e Josefina caminham rumo ao cemitério. 


JOSEFINO: Vai ser aqui mesmo. Acho que essa é a cova do meu pai.


JOSEFINA (COM MEDO): Tem certeza, Zefino? E se algo der errado?


JOSEFINO: Não vai dar porque eu sou bom nisso, confia em mim. Tá no sangue. Se a minha tatatataseiladasquantas conseguiu, eu também consigo. 


Josefina a olha com espanto. Josefina cospe e ofega. Anoitece, o circo se prepara para a primeira a sua primeira apresentação. 


PALHAÇO (ALTO-FALANTE): Respeitável público, não percam hoje, com vocês, a mais nova apresentação do nosso circo Barba Cabana. Fiquem à vontade.


DONA GEMA: Nossa, eu amo circo. Só não sei se estou devidamente ao ponto pois ainda estou ressentida pela morte do nosso prefeitinho e meu patrãozinho tão querido 😭


MELQUÍADES: Deixe de coisa. Seu Patássio tá num bom lugar. E ademais, ele já tinha vivido muito não?


DONA GEMA: Só 99 anos o bixinho, eu não me conformo. Ansiava pelos 100 😭


De repente, um forte vento leva a estrutura do circo para longe. A peruca da Dona Gema voa ao alto e revela sua linda careca de casca de ovo. Melquíades desmaia. Os palhaços viram saltimbancos. Os animais fogem pela cidade. Clotilde vem trazendo Severina em uma cadeira de rodas. 


CLOTILDE: Vamos, Severina. Você precisa se animar. Ainda mais depois do que lhe ocorreu.


SEVERINA: Você só esquece que tudo o que ocorreu foi responsável por um elefante desse mesmo circo daqui, não é? Que Deus te cubra de bênçãos!


De repente, um elefante vem descontrolado e passa por cima de Clotilde, assim caindo em cheio com as nádegas em cima de Severina. Ela resfolega. De repente, há um tremor em baixo da terra. Todos os habitantes sentem. Uma nuvem de tempestade se forma no céu. Todos não dormem. Sariema e Arminda se acordam na mesma hora. Rosângela que bebia uma taça do mais caro vinho acaba derramando sua bebida. O padre e o pastor das igrejas se abraçam forte para se sentirem seguros. O mesmo acontece com Clotilde e Severina esmagada. Josefino e Josefina clamam por ajuda divina. Diversos esqueletos começam a sair das catacumbas. Lobosimens, zumbis, gaivotas e criaturas horripilantes. 


JOSEFINA: E aí, Josefino? Deu tudo certo?


Josefino caga nas calças. 


💀 CONGELAMENTO EM FORMATO DE ESQUELETO EM JOSEFINO 💀